Sidarta Ribeiro realiza atividade no posto de saúde e aponta alternativas as políticas atuais de acesso a cannabis medicinal


Em uma manhã de quinta feira uma parte do povoado de Caeté Açu se apertou no salão Marilza Nery, anexo ao espaço de atendimento para uma roda de conversa com o renomado Neurocientista e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e integrante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Autor de diversos livros relacionados ao cérebro, sonhos e sobre a temática da cannabis medicinal. A atividade gratuita e aberta a comunidade foi promovida pela Escola das Artes do Nascer com apoio do Coletivo de Estudos da Cannabis Medicinal do Vale do Capão e de alguns empreendimentos do comercio local.

Arte do Evento. Crédito: Divulgação

O público presente era formado por moradores e visitantes de todas as idades, reunidos pela oportunidade de trocar experiências com um estudioso sobre os impactos aplicação da cannabis para diferentes quadros clínicos, como Alzheimer, Esquizofrenia, Tdah, Autismo e Epilepsia. Apesar de lembrar aos presentes a todo tempo que não era médico e que questões mais práticas sobre cada caso precisa de um acompanhamento de um profissional de saúde.

Sidarta trouxe diversos relatos de casos e pesquisas científicas que evidenciam os impactos na aplicação das corretas dosagens de CBD e THC no tratamento destes distúrbios bem como aproveitou o momento para debater questões sociais e econômicas relacionadas aos avanços a indicação de terapias medicinais relacionadas ao uso da maconha. Dentre estes pontos, está o interesse das grandes corporações em monopolizar a produção e comercialização, mantendo preços caros, como atualmente são os produtos importados, e restringindo os pequenos produtos e a população atualmente marginalizada por porte e comercio de pequenas quantidades e que segundo as estatísticas representam boa parte da população encarcerada nos presídios brasileiros.

Pesquisador Sidarda Ribeiro falando durante atividade. Crédito: Pedro Jatobá – Produtora Colaborativa da Chapada


Outro ponto muito debatido na conversa foi sobre os impactos do uso de cannabis na adolescência e os riscos que isso tem para um cérebro em formação. Sidarta reforçou que estudos indicam que na infância e juventude o uso de cannabis pode gerar impactos negativos como apatia, e isso é agravado na geração atual devido ao uso massivo de telas, que também podem ser gatilhos para desenvolvimento de outros distúrbios como ansiedade e depressão. Segundo mencionou pesquisas em camundongos indicam que a mesma dose aplicada a um espécime adolescente pode causar um efeito negativo enquanto se aplicada a um adulto ou idoso causaria um efeito benéfico.


Segundo Ribeiro enquanto para os adolescentes a cannabis deve seguir proibida e somente receitada em casos clínicos com supervisão, para idosos ela deveria ser recomendada, personalizada de acordo com as necessidades de cada pessoa. Isso seria possível com a descriminalização e a democratização do acesso, garantindo preços acessíveis, produtores locais que teriam suas próprias produções com diferentes qualidades e características próprias, semelhante a produção de cervejas artesanais como exemplificou o palestrante.

Público presente a atividade. Crédito: Pedro Jatobá – Produtora Colaborativa da Chapada


Um destaque importante da conversa é a importância de não apenas se celebrar os avanços no uso medicinal da Cannabis mas aproveitar o momento de debate político para reforçar a luta pela descriminalização e democratização do acesso para o uso recreativo e ritualístico, de forma de reduzir a prisão em massa do povo preto, periférico que é majoritariamente penalizado pelas leis vigentes no país. Sidarta lembrou que a mesma polícia que faz vistas grossas para o consumo de entorpecentes em grandes festivais frequentados pela elite e quem invade as comunidades e prende quem esta consumindo as mesmas substâncias. E as chacinas recorrentes nas favelas no Rio de Janeiro, não mudam o controle e a operação do tráfico de drogas apenas são mortos os trabalhadores que estão na ponta, sem ameaça a quem está no topo das organizações.

“O momento é de não retroceder nem para tomar impulso”, afirmou Sidarta, precisamos pautar a importância da cannabis na medicina, o potencial do cânhamo e outros derivados da planta para a economia local e pensar em políticas de reintegração de quem foi marginalizado durante anos por uma proibição que somente promoveu a segregação e a desigualdade social ao longo das últimas décadas.

Com o sentimento de muita gratidão pela partilha e ainda absorvendo nos neurônios a riqueza das informações trocadas na conversa que se estendeu para além do tempo previsto, o publico presente ainda ganhou uma sessão informal de fotos e autógrafos dos diferentes livros publicados pelo pesquisador. Ao lado de sua companheira Luiza Ugarte, que está grávida, planejam que o parto natural seja realizado em breve na Chapada Diamantina. Sidarta prometeu retornar em um momento próximo para novos momentos de conversas e trocas com a comunidade do Capão.

Texto, Vídeo e Fotos: Pedro Jatobá – Produtora Colaborativa da Chapada

Vale do Capão, Julho de 2026, publicado em: https://valedocapao.chapada.ba

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *